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Ibama manda fechar tecelagens em Caicó - RN

O Ibama mandou interditar 39 empresas de tecelagem do Seridó que estariam poluindo as águas do rio Piranhas. O anúncio foi feito ontem na sede do escritório do Ibama em Caicó pelo superintendente estadual do órgão, Alvamar Queiroz. “Essas empresas foram notificadas para comparecerem ao Ibama e apresentarem as suas licenças de funcionamento, mas não compareceram e uma vez desobedecendo essa determinação, compete ao órgão federal proceder a multa e o embargo”, explicou.

Como os empresários não atenderam à notificação, Alvamar Queiroz informou que foi visitar “in loco” as referidas empresas na segunda-feira. Na ocasião, também foi vistoriar o matadouro público de Jardim de Piranhas também interditado.

“Nós fizemos questão de ir a Jardim de Piranhas para verificar se o matadouro estava de fato interditado e saber por que as empresas de tecelagem notificadas não compareceram ao Ibama, uma vez convocadas”, disse Alvamar Queiroz.

Segundo o superintendente as 39 indústrias têxteis notificadas pelo Ibama, com o aval do Ministério Público Federal, foram multadas e embargadas. Ele relatou que há dois meses o Ibama fez uma fiscalização em Jardim de Piranhas e constatou irregularidades no funcionamento das empresas. Foram abertos processos administrativos e encaminhadas notificações para os proprietários, estabelecendo prazo para apresentarem a documentação exigida pelo Ibama, mas nenhuma cumpriu o que foi solicitado.

“Nós sabemos que isso é uma ponta do iceberg e que temos muito mais coisa. Acreditamos que há em Jardim de Piranhas, uns 300 pontos de processamento de fios de tecelagem e nós vamos ter que chegar a todos eles. Quem não buscar uma saída para o licenciamento ou se agregar a alguma associação, vai ter que ser penalizado em função da legislação”, avisou o superintendente.

Alvamar Queiroz argumentou que a preocupação maior do Ibama é com a despoluição do Rio Piranhas-Açu. Existe um alto número de empresas do ramo têxtil em Jardim de Piranhas que contribui para a poluição do rio, através de produtos químicos usados na tecelagem.

Enquanto um grupo de empresas está sendo penalizado, várias outras indústrias já adotaram providências para conseguirem o licenciamento de funcionamento através de filiação a uma associação e um Arranjo Produtivo Local (APL), via Sebrae.

Vistoria é estendida aos matadouros da região

O Ibama também estendeu a fiscalização a matadouros da região. Segundo o superintendente Alvamar Queiroz todos foram visitados e as prefeituras estão tentando enquadrá-los na legislação ambiental. “E isso é importante porque já constatamos que muitos foram lacrados, mas o abate do gado está sendo feito em outra região.

O superintendente acrescentou que amanhã, 2, Ibama, Ministério Público, Emater e Secretaria Estadual de Agricultura, vão se reunir em Natal para discutir a forma como é feito o transporte dos animais bovinos e caprinos após o abate. “A nossa preocupação não é só com a forma como os animais são abatidos, mas como esses animais estão sendo transportados dos matadouros até os açougues”, comentou o dirigente do Ibama.


Fonte: Tribuna do Norte - Natal